61+46+17

06 a 31 de outubro de 2012

Tripla Comemoração
por Roberto Comodo

A partir de uma data redonda, Ricardo Camargo comemora neste 6 de outubro 61 anos de vida, 46 deles de intensa atuação no mercado das artes e 17 à frente da Ricardo Camargo Galeria. O único galerista de São Paulo que iniciou o seu ofício nos anos 60 e ainda hoje está na ativa, ele se orgulha de suas origens. Ricardo começou em 1966, trabalhando em várias funções na Galeria Art Art, do seu irmão Ralph Camargo. E foi com ele que aprendeu a fazer montagens de exposições e desenvolveu o senso estético e o olhar crítico para diferentes obras de arte.

Depois da Art Art Ricardo foi assistente na galeria Ralph Camargo e sócio na R&R Camargo. Em 1969 realizou a sua primeira venda: um pastel de Di Cavalcanti de 1936, pintado em Paris; uma litografia de Lasar Segall e um nanquim antropofágico de Tarsila do Amaral. De lá para cá organizou mais de uma centena de exposições e participou de outras dezenas. Só na Ricardo Camargo Galeria foram 41 mostras, algumas delas com o melhor da arte moderna e contemporânea brasileira.

A pequena mostra agora em exibição celebra esta trajetória de modo único. A começar pelo inédito óleo de Lasar Segall, Cabeça feminina de olhos claros, (na capa do catálogo e com currículo ao lado). Considerada uma obra-prima, a rara pintura foi feita em 1921 na Alemanha, ano em que Segall conheceu Kandinsky, de quem se tornou amigo. Ela é um contraponto ao vigor de dois torsos femininos, um em mármore e outro em gesso, de Victor Brecheret. Também inéditos, com insinuantes curvas saídas do cubismo, eles foram realizados pelo escultor em Paris, entre os anos de 1928 e 29.

Outro destaque da mostra é o bordado com pintura feito por Mira Schendel em 1979. Bordado pela própria artista, o trabalho original e nunca exibido traz a trama de sua inconfundível linguagem experimental. Trilhando o mesmo caminho, surge o lúdico e anárquico Polochon, a escultura do porco de “duas cabeças” criada pela arquiteta Lina Bo Bardi em 1985 para a peça UBU, Folias Physicas, Pataphysicas e Musicaes do Teatro do Ornitorrinco, dirigida por Cacá Rosset. Figura síntese do espetáculo, o Polochon esteve em dezenas de mostras pelo mundo como participante da exposição Lina Bo Bardi até aportar agora na comemoração em dose tripla da Ricardo Camargo Galeria.

Obras participantes