Alfredo Ceschiatti

16 de maio a 16 de junho de 1994

Ao escolher Alfredo Ceschiatti para inaugurarmos o Studio de Arte Ricardo Camargo e Ugo di Pace pensamos em romper o silêncio de 18 anos a seu respeito, desde sua última mostra retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em maio de 1976, com 40 obras.

Alfredo Ceschiatti teve produção de excepcional qualidade, porém, numericamente pequena – aproximadamente 100 peças.

Sua carreira foi impulsionada pelo carisma e entusiasmo de Oscar Niemeyer e coube a Ceschiatti “humanizar”, com seus Evangelhistas, seus Arcanjos e suas Banhistas os espaços imensos, autênticas esculturas em concreto e mármore da obra monumental conduzida por Juscelino Kubitschek – Brasília. Esta “humanização” do espaço entregue a Ceschiatti, (entre outros) nutriu-se na fonte e cenário maiores de uma escola figurativista secular: as piazzas italianas.

Soube Ceschiatti apreender dentre a nossa tradição do barroco – mineiro, aquelas curvas do corpo, formas arredondadas que mais serviriam a seus propósitos, despojando-as no entanto, o suficiente para atingir um classicismo moderno; sem concessões aos modismos de época.

As 28 obras expostas vão de 1942 “Vênus”, à 1989 “Pomba”ou seja, 50 anos de uma produção consistente, que marca o nosso tempo e lhe confere perenidade, perto dos quais os quase dois anos investidos na captação e realização desta mostra pareçam mínimos.

Queremos, porém, destacar a compreensão dos herdeiros de Ceschiatti ao nos permitir trazer a público esta última oportunidade para usufruir e adquirir as obras deste mestre da escultura brasileira.

Ricardo Camargo

Obras participantes