Burle Marx

29 de novembro a 13 de dezembro de 1988

Roberto Burle Marx
por José Duarte de Aguiar

Na paisagem cultural brasileira, o personagem e a obra de Roberto Burle Marx são por demais claras e conhecidas, não justificando apresentações ou motivações a respeito. Dos poucos artistas locais com penetração e reconhecimento fora do Brasil, Burle Marx pertence àquela categoria de criadores, inquietamente perturbados, buscando sempre o criar e o fazer. Paisagista maior, arquiteto do verde, criador de formas, desligado de fórmulas e conceitos pré organizados, Burle Marx é ainda pintor de enorme qualidade, desenhista, ceramista. Seus painéis, criados a partir de um trabalho extremamente pessoal e definido, buscam e transmitem a idéia de seus espaços paisagísticos no entrecortar de formas e curvas, na sobreposição de tons e cores, na criação de relevos imaginários e volumes fictícios. Paisagista e pintor, pintor e arquiteto. Homem de formas e volumes. Dominador de cores e nuances.

A trajetória de Roberto Burle Marx pintor, é paralela a de outro artista, arquiteto e visionário, Le Corbusier.

Como ele, suas formas, suas cores, a proposta da pintura e do desenho, corresponde à proposta da natureza recriada e trabalhada. Da forma elaborada. Um, com outro, criam e desenvolvem o pintar através de um delicado e refinado processo mental, através da elaboração consciente e às vezes violenta, do peso e da força das formas, das linhas, da curva, do ângulo.

Um trabalho extremamente racional, refinado e de grande qualidade intelectual. Um trabalho consciente, que se funde com a proposta geral de vida, com a qualidade mental e intelectual do artista. Nosso espaço tem enorme prazer em mostrar a São Paulo, o trabalho de Roberto Burle Marx, pintor. Temos certeza de estarmos mostrando, fazendo ver, algo do que de melhor se faz no país. Desligado de modismos inúteis, longe de vanguardas instantâneas e passageiras. Um trabalho da melhor qualidade.

Obras participantes