Grandes obras 1500-1900

13 de junho a 13 de julho de 1985

Eis uma exposição comercial de obras de arte que deveria despertar um certo interesse, pelan novidade de ter pendurada nas paredes não a arte geralmente apresentada nas galerias, a assim apelidada arte moderna, mas uma Pintura à qual se atribui valor somente de vez em quando.

São raros os seus apreciadores, a não ser quando se trata de algo ligado à memória nacional, setor este esplendidamente rico em colecionadores.

Sabe-se que o interesse, agora, está concentrado na Pintura que, com a evolução, mudanças de tempo, moda, etc., castiga a tradição. Que o aceno ao castigo não seja interpretado como posição retrógrada pois quem escreve foi, e é a favor das novidades, manifestando sua dúvida somente em presença de certa produção de repetições, gags, brincadeiras do amadorismo e da conveniência comercial, novidade característica deste fim de século.

Eis então uma exposição-novidade porque apresenta telas que em vez de terem sido desenfornadas ontem, ostentam um sabor de séculos como datação, porciúncolas da memória, obras de mestres ou de amanuenses da Europa.

Seja qual for a capacidade de gostar ou não, o possível apreço estético ou histórico, ou apenas a simples curiosidade, o prefaciador deve informar a respeito do conjunto deste já era de pinturas.

Todos sabem – em primeira mão os velhacos cunhadores e espalhadores de boatos, típico produto da inveja -, que o Bardi, desde o tempo da sua bem recuada pré-história, tem estado presente no mercado das artes, não exatamente como profissão, mas por passatempo, valendo-se de um certo intuito e talvez uma modesta percepção no prever as andanças do gosto daquela bilateral atividade indicada como colecionismo. Digo bilateral pois efetivamente ele tem hoje duas caras: o que é in minimus um Medicis ou um Duque de Ferrara, encantado pela arte, ou aquele que adquire uma peça para especular no mercado.

Se o leitor não for impaciente, permita a um veterano uma confissão: quero dizer que quando, com seu espírito generoso e preocupado com os problemas nacionais, tomando decisões à sua maneira acima da normalidade, o Sr. Assis Chateaubriand me confiou à realização do Masp, em 47, eu inaugurava minha galeria, publicando a revista Habitat, e quando o Masp mudou de sede, eu mudei de, abrindo o Mirante das Artes, e editando a revista do mesmo nome.

Não sou tão ingênuo a ponto de não saber da singularidade desta circunstância, pois o que se passa nas papeladas museográficas é que o pessoal contratado para a tarefa deve ser aquele estudioso ou analfabeto ou, pior, recomendado granítico dos combinadores da cultura.

Seja como for, direi no meu italiano: scornacchiati i bisbiliotari do contra – e me permito lembrar Horácio: Invidus alterius macrescit rebus opimus – eis a finalidade desta amostragem de obras de arte.

P. M. Bardi

Obras participantes