Mino Carta

15 de agosto a 03 de setembro de 2011

O coração e a alma
por Mino Carta

Esta exposição, na nova-iorquina galeria de Ricardo Camargo, é cronologicamente a última da minha carreira pictórica, e é também a primeira depois de 15 anos de afastamento. E ainda: talvez não seja a derradeira.

Por duas vezes ao longo da vida encostei a palheta, sempre por motivos estritamente pessoais. A primeira em 1960, e não pintei por 14 anos. Voltei sem a intenção de expor telas pintadas a partir de 74 e foi Pietro Maria Bardi quem docemente me forçou a mudar de idéia um ano depois.

Bardi, “o professor”, conheci na noite de Natal de 1946, em São Paulo, e ali nasceu uma amizade inoxidável de 53 anos. Parei pela segunda vez em 1976, sem o propósito de apresentar ao público o resultado parcial de um trabalho que haveria de expor na Alemanha no ano seguinte, parcial porque interrompido ao meio.

Desta vez quem me forçou a voltar atrás nas intenções mantidas por 15 anos, foi outro amigo especial, também ele doce na pressão, Valdemar Szaniecki, logo secundado pelo dono desta casa, Ricardo. Deixei-me convencer, e agora, por ter cedido, me sinto muito bem entre o coração e a alma.

Obras participantes

Vida de pintor

Mino Carta queria ser pintor quando crescesse e ainda adolescente dedicou-se à aquarela e ao guache sob a orientação do pai, Giannino, jornalista e professor de História da Arte. Aos 14 anos começou a usar o óleo e a pintar sobre tela.

No quadro das celebrações do IV Centenário de São Paulo, Sergio Milliet, à época o mais considerado entre os críticos brasileiros, convidou-o a participar com duas telas de uma exposição intitulada Paisagem do Brasil, juntamente com mais 19 artistas, entre eles Portinari, Tarsila, Pancetti, Volpi e Rebolo.

Primeira individual em Milão na Galeria Cairola, em maio de 1957, apresentado por Luigi Carluccio, que anos depois assumiria a presidência da Bienal de Veneza. Entre os visitantes Carlo Carrá, que o convidou a trabalhar com ele.

Volta a expor em 1975, no Masp, a convite de Pietro Maria Bardi, que também o apresentou. Curador o marchand e artista Antonio Maluf, e a partir desta mostra nasce uma parceria de onze anos. No período Mino expôs no Rio (76), Porto Alegre (77), São Paulo, Galeria Seta (79 e 81), Masp novamente (83), São Paulo, Galeria São Paulo (84), São Paulo, Galeria Seta (86).

Em 1990, com a exposição em A Galeria intitulada Memórias Herdadas inicia-se outra feliz parceria, com Valdemar Szaniecki, responsável por duas grandes exposições no exterior, a primeira em Londres (1993), outra em Antuérpia (1995). A msotra londrina teve uma pré-estreia em São Paulo, em A Galeria.

Cem obras, a óleo e acrílica, além de alguns desenhos a bico de pena, compuseram uma retrospectiva de 40 anos de pintura realizada na pinacoteca do Masp em maio e junho de 1994, com a curadoria de Jacob Klintowitz.

Nesta exposição na Galeria Ricardo Camargo, Szaniecki, comemora 45 anos como marchand com A Galeria.