Vicente do Rego Monteiro

04 de abril a 08 de maio de 1993

Por que Vicente do Rego Monteiro não está incluído, até agora, no rol dos mais expressivos nomes da arte brasileira do século XX?

Porque muito jovem, adolescente de 14 anos, foi para Paris, Meca artística da época, dar vazão aos seus pendores artísticos (como então se dizia). Convivendo com Picasso, Braque, Léger, Gris, entre outros, participa da Escola de Paris dos anos 20 absorvendo e reelaborando art-déco, cubismo, Léger, simultaneamente com cerâmica marajoara, esculturas egípcia e assíria, o “al fresco”.

Obra semelhante à de Rego Monteiro no mundo artístico parisiense ou brasileiro, não há.

Existe porém uma afinidade estilística com Victor Brecheret; mas enquanto o escultor mantém sempre dentro do art-déco uma sensualidade aparente “fácil” de captar, o pintor coloca em suas telas uma monomentalidade escultórica reduzida ao bi-dimensional, “difícil”.

A falta de um empenho crítico-mercadológico sobre a obra do artista não propiciou seu reconhecimento e consequente absorção pelo mercado de arte brasileiro.

Seria mais fácil insistirmos nos nomes blue-chips (Portinari, Di Cavalcanti, etc) de colocação imediata, do que aventurar-mo-nos a solicitar a sensibilidade do colecionador para uma obra sem paralelo em qualquer escola: ou seja, original.

Da importância de Rego Monteiro na arte brasileira pode-se aquilatar por sua presença marcante na coleção Gilberto Chateaubriand, maior acervo de arte brasileira do país, com 12 obras.

Os 16 quadros à venda nesta mostra têm sua origem no acervo da família; são inéditos no mercado, sendo extremamente representativos das temáticas sempre presentes em toda pequena produção artística de Vicente do Rego Monteiro.

José Duarte de Aguiar
Ricardo Camargo

Obras participantes