Victor Brecheret

16 de junho a 12 de julho de 1997

No meu trabalho de recolocação dos artistas brasileiros ditos “Os Modernistas”, venho observando a crescente e merecida valorização do papel (estudos, desenhos, guaches) sempre associada à função de melhor reconhecimento da obra autoral.

O interesse pela evolução do pensamento criativo do artista denota o progressivo amadurecimento dos colecionadores; em Victor Brecheret é supérfluo qualquer comentário. A essencialidade de seu traço no papel – de qualquer época – é flecha certeira destinada à obra escultórica final – “clean”, sempre, impreterivelmente.

É esta característica destes desenhos tão despojados que despertou meu interesse galerista: a irresistível tentação de mostrar o caminho, a intimidade da criação artística.

Ricardo Camargo

Lembro-me bem. À mesa, após o jantar, ele ficava horas calado, desenhando sem parar. Não eram trabalhos de um desenhista. Eram estudos, pesquisas e investigações para alcançar a figura acabada de uma nova criação. Desenhos de escultor, que definiam formas, volumes ou linguagens com pouquíssimos traços.

Era extremamente exigente com sua arte, com a técnica, com os materiais. Artista criador e insatisfeito, trabalhava vinte e quatro horas por dia. De formação rigorosa, não aceitava encurtar caminhos ou desviar de objetivos, porque a técnica requerida era em alguns casos trabalhosa. Insistia, persistia, criava, produzia. Meu pai, como desenhista, era acima de tudo um artista integral.

Victor Brecheret Filho

Obras participantes